Keytruda e outros tratamentos de alta eficácia para Linfoma: o que saber antes de buscar acesso

Keytruda, Polivy e Adcetris: entenda como funcionam os tratamentos de alta eficácia para linfoma, os custos envolvidos e o papel da judicialização no acesso a essas terapias.

9/15/20264 min ler

O linfoma é um câncer que se origina no sistema linfático e se divide em dois grandes grupos: o linfoma de Hodgkin e os linfomas não Hodgkin, este último um espectro amplo de neoplasias, com o linfoma difuso de grandes células B (LDGCB) como o subtipo mais comum entre os agressivos. Nos últimos anos, o tratamento de linfomas recidivados ou refratários às linhas convencionais de quimioterapia avançou de forma significativa com o surgimento de imunoterapias e anticorpos conjugados de alta precisão.

O Keytruda (pembrolizumabe)é uma das terapias mais conhecidas nesse cenário, e também uma das que mais gera dúvida sobre cobertura e acesso. Neste artigo, explicamos como ele funciona, quais são as principais alternativas terapêuticas usadas no Brasil e por que o momento da judicialização importa tanto quanto o diagnóstico.

O que é o Keytruda (pembrolizumabe) no tratamento de linfoma

O Keytruda contém a substância ativa pembrolizumabe, um anticorpo monoclonal anti-PD-1 que bloqueia um mecanismo usado pelas células tumorais para escapar da vigilância do sistema imunológico, permitindo que os linfócitos T voltem a reconhecer e atacar as células cancerígenas. Para linfoma, o medicamento é registrado na Anvisa especificamente para o tratamento de pacientes adultos com linfoma de Hodgkin clássico (LHc) refratário ou recidivado, e também para pacientes pediátricos a partir de 3 anos com LHc refratário ou que recidivou após duas ou mais linhas de terapia. A bula também contempla o linfoma primário mediastinal de grandes células B (LPMGCB) refratário ou que recidivou após duas ou mais linhas de tratamento.

A aprovação para essa indicação se baseou no estudo de fase 3 KEYNOTE-204, que demonstrou redução de 35% no risco de progressão da doença ou morte em comparação ao brentuximabe vedotina. A administração é intravenosa, na dose de 200 mg a cada três semanas ou 400 mg a cada seis semanas, conforme o esquema escolhido pelo oncologista. Um ponto importante: o pembrolizumabe possui registro na Anvisa para linfoma de Hodgkin, mas ainda não foi avaliado pela Conitec para essa indicação especificamente, o que significa que sua incorporação ao SUS para linfoma segue em aberto, mesmo com o medicamento já disponível comercialmente no país.

Outras terapias de alta eficácia usadas no Brasil

O Keytruda não é a única opção para casos de linfoma que não respondem às linhas convencionais e conhecer as alternativas ajuda a entender por que cada caso pede uma estratégia terapêutica, e consequentemente jurídica, diferente.

Polivy (polatuzumabe vedotina) é um anticorpo conjugado que se liga à proteína CD79b, presente nas células B malignas, liberando um agente quimioterápico diretamente sobre elas. É indicado tanto para pacientes com LDGCB não tratados previamente, em combinação com R-CHP, quanto para casos recidivados ou refratários não candidatos a transplante, em combinação com bendamustina e rituximabe. O estudo que sustentou o registro mostrou redução de 64% no risco de morte ou progressão da doença, podendo triplicar a sobrevida de alguns pacientes. O custo é elevado, partindo de cerca de R$ 81 mil por apresentação.

Adcetris (brentuximabe vedotina) é um anticorpo conjugado direcionado à proteína CD30, indicado para linfoma de Hodgkin CD30+ recidivado ou refratário, linfoma anaplásico de grandes células sistêmico e outros linfomas de células T periféricas CD30. Está registrado na Anvisa desde 2014 e o SUS já incorpora o medicamento — mas apenas para uma fatia específica dos pacientes: adultos com recidiva ou refratariedade após transplante autólogo de células-tronco. Pacientes com a mesma indicação clínica, mas que não passaram pelo transplante ou não se encaixam exatamente nesse recorte, costumam esbarrar na negativa administrativa e precisam recorrer à via judicial. O custo por dose varia entre R$ 10 mil e R$ 25 mil.

Por que o custo motiva tanta judicialização

O padrão se repete em praticamente todas as terapias de alta eficácia para linfoma: preços que somam dezenas ou centenas de milhares de reais por tratamento completo, associados a critérios de incorporação ao SUS mais restritos do que a indicação médica em bula. É exatamente esse descompasso entre o que a Anvisa aprova e o que o SUS ou a operadora de saúde efetivamente cobre que abre espaço para a judicialização.

A jurisprudência brasileira, de modo geral, tem se mostrado favorável ao paciente nesses casos: tribunais têm reiterado que a ausência de um medicamento no Rol da ANS ou fora do protocolo estrito do SUS não é, por si só, motivo suficiente para negar a cobertura quando há prescrição médica fundamentada e o medicamento possui registro na Anvisa. O caso do Adcetris ilustra bem esse ponto mesmo com incorporação parcial ao SUS, pacientes fora do recorte específico (por exemplo, sem passar por transplante autólogo) têm obtido decisões favoráveis ao demonstrar a adequação clínica do tratamento ao seu caso.

O momento certo para buscar orçamento e fornecimento

Assim como em outras terapias de alto custo, entender em que fase do processo o paciente está é tão importante quanto entender o medicamento em si. Ações em fase inicial aguardando emenda à inicial ou citação da parte ré normalmente ainda não demandam orçamento formal. Já processos que avançam para cumprimento de sentença, especialmente quando envolvem sequestro de verbas via SISBAJUD, exigem três cotações formais dentro dos limites de PMVG/CMED, e é nesse momento que a agilidade e a precisão no cálculo de doses e frascos evitam desperdício de verba e atraso na liberação do tratamento.

Como a Rare Pharma pode ajudar

A Rare Pharma acompanha o processo do zero: desde a análise da decisão judicial e o cálculo otimizado de doses e frascos, até a emissão de orçamento dentro dos limites de PMVG/CMED e a entrega do medicamento no nome do paciente.

Se você é advogado, defensor público ou responsável por um paciente em tratamento com Keytruda, Polivy, Adcetris ou qualquer outra terapia de alta complexidade para linfoma, fale com nossa equipe para receber orientação sobre a próxima etapa do processo.

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